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MARROCOS, PAÍS DE ENCANTOS – RUMO A SUL
MARROCOS, PAÍS DE ENCANTOS – RUMO A SUL

MARROCOS, PAÍS DE ENCANTOS – RUMO A SUL

No dia 7 de abril, a ALFA reuniu um grupo muito singular de pessoas com destino a uma grande aventura, desbravar e, é claro, fotografar o exuberante país Marrocos. Munidos de seus equipamentos fotográficos, coragem e muita paixão pelo destino, seguiram todos rumo a Marrakech, numa viagem emocionante que incluiu a passagem de ferry boat pela rota Tarifa-Tânger e o comboio noturno Tânger-Marrakech.

No decorrer da viagem de ida o grupo, até então heterogêneo, começou a estreitar laços e a tornar-se uno. As conexões estabelecidas entre corações tão sinceros, humildes e abertos deu o tom de como Marrocos seria dali para a frente visitado. Estavam todos certos de que seria incrível, porque aos olhos de um bom coração, nenhum resultado poderia ser diferente relativo ao esperado. O sincronismo entre todos, preparou-nos para a grandeza do país.

Já no primeiro dia, em Marrakech, após a calorosa recepção no Opera Plaza Hotel, acompanhados por uma guia oficial, desfrutamos das maravilhas da cidade vermelha e marcámos presença nos pontos mais surpreendentes como o Palácio Bahia, os Túmulos Saadianos e os Jardins Majorelle.

Deliciamo-nos num farto almoço tradicional, e o jantar aconteceu na fantástica Praça Jma El Fna, onde cada um pode vivenciar Marrakech ao experimentar diversas iguarias da sua culinária e presenciar manifestações culturais apresentadas no local.

Domingo, amanheceu um belo dia ensolarado e perfeito para o destino que nos aguardava, as cascatas de água de Ouzoud. Uma queda de água deslumbrante, cercada de verde por todos os lados e que, em alguns momentos do dia, brindou-nos com mágicos arco-íris. Não havia nessa altura um de nós que não estivesse fotografando cada detalhe, cada ângulo e cada sorriso diante daquela divina maravilha da natureza. Almoçar e tomar o tradicional chá de menta marroquino de frente para tamanha magnitude foi realmente especial. Na saída, ainda nos deparamos com os Macacos Rhesus que estavam sempre prontos a interagir com os transeuntes em troca de um pouco de atenção e… amendoins! Seguiram-se mais algumas fotos muito irreverentes.

Após uma confortável noite de sono no belíssimo Kasbah Ait Oumghar Iminifri, em Demnate, estavam todos ansiosos pelo próximo destino, a gruta de Iminifri, que surpreendeu positivamente pela sua imponente beleza natural. De volta à estrada, já avistávamos a neve branquinha no Alto Atlas que contrastava lindamente com os cactos, as oliveiras e as rochas multicores. Uma paisagem de tirar o fôlego!

Após a pausa para o almoço, pudemos ver como o óleo de argan é extraído de forma cuidada e natural pelas mãos das mulheres da região. Voltamos a seguir pela rota dos Mil Kasbahs, a fim de registrar pelas nossas lentes o famoso património mundial da UNESCO que serviu de cenário para diversos filmes Hollywoodianos, o Ait Benhaddou. Ao avistá-lo, ficou claro porque leva esse título e é escolhido como palco para grandiosas películas. Entrar naquele sítio teve um quê de magia e excitação. No ar, só se ouvia os clicks vindos das mais de dez câmeras fotográficas ávidas por registrar cada centímetro, que só cessavam para sanar a curiosidade com as sempre entusiasmadas e apaixonadas explanações do nosso guia berbere.

O dia havia sido espetacular e, ainda assim, agregou mais emoção ao encerrar com a nossa passagem pelas aldeias de El Kalaat Mgouna e Skoura; e com a recepção em grande estilo a mais um hotel, no Boumalne Dades, em que pudemos assistir a uma clássica apresentação de música e dança berberes.

O sentimento de integração à cultura local e à equipe ficava mais forte a cada dia. Éramos juntos testemunhas de como a comunidade marroquina se organiza e lida de forma respeitosa e solidária com o meio e com o outro. Todo esse espírito contaminou-nos e, ao entrarmos, no dia 11/04, nas Gargantas de Todra, a cumplicidade do grupo continuava num crescente, mais como amigos, do que meros companheiros de viagem.

Conhecemos e conectamo-nos, de peito aberto e muito carinho no olhar, com as pessoas da região, com a mais pura beleza daquele lugar, facto que se registava em todo click. Saímos dali com uma leveza na alma, não poderia haver melhor sítio para nos receber como com o que nos deparamos em Aoufous, no Vale do Ziz.

Num ambiente genuinamente familiar, marroquino, foi possível desfrutar de um jantar totalmente preparado com os recursos naturais obtidos do palmeiral. Além disso, ouvimos e dançamos as lendárias músicas berberes, pudemos enfeitar-nos com tatuagens de henna, ouvimos o som da natureza que aflorava no oásis e inundava nossas mentes e ainda tínhamos energia para sentar ao luar e escutar mais histórias incríveis.

No dia 12/04, pela manhã, exploramos o Vale do Ziz e percebemos inloco como funciona a manutenção, o plantio e colheita num oásis endémico. As alfafas, as favas e hennas ainda conservavam seu orvalho matinal, quando rumamos em direção ao deserto de Merzouga, para o destino mais aguardado dessa excursão. Animação, euforia, sentimentos à flor da pele! Estávamos viajando em dromedários pelas dunas de Erg Chebbi. Fotos, muitas fotos. Gargalhadas seguidas de profundos silêncios de contemplação.

O deserto é inenarrável. É preciso estar nele para sentir a nossa pequenez e permitir que ele nos dobre e nos erga outra vez. Mas, ninguém saiu de lá da mesma forma que entrou. Passar a noite numa tenda berbere, sentir no peito o rugir dos tambores tocando, observar a lua soberana no alto do seu esplendor enaltecendo as curvas das faceiras dunas, experienciar o vento que traz toda a melodia do Sahara tocar a pele, afundar os pés em areias acolhedoras… Coisas que calam e deixam espaço somente para o coração falar. E o dia foi dele. A noite também, quando brindamos à mesa e demos o nosso testemunho pessoal de como essa jornada nos tocou.

Parecia que tínhamos atingido o ponto alto da nossa caminhada, mas o novo dia trouxe consigo novas surpresas. O nascer do sol é igualmente fabuloso como o seu pôr. Então, deixamos o deserto para trás, mas não sem levar uma sensação de pertencimento no peito. Fomos dali para o observatório astronómico SaharaSky e, antes de sacarmos as nossas câmeras para registrar o belíssimo céu estrelado, tivemos uma verdadeira aula sobre a Via Láctea com um entusiasmado cientista. As estrelas estavam ali divinas posando para nossas lentes e foi impossível resistir a esse chamado. Dormir nesse instante não era prioridade. Máquinas a postos, acopladas aos telescópios e sorrisos de orelha a orelha com cada registro eternizado.

A viagem ainda não acabou, mas a nostalgia começa a sentir-se presente. Não queremos dizer adeus, ainda. Ninguém está pronto para esse momento. As músicas do Tinariwen, já internalizadas e familiares aos nossos ouvidos, fazem todo sentido. Buscamos lá no fundo do peito a energia necessária para não deixar a melancolia tomar conta e, de repente, estamos eufóricos novamente com a estonteante Ouarzazate.

As montanhas do Alto Atlas banhadas pela luz do sol e adornadas por simpáticas nuvens era tudo o que precisávamos para mais algumas sessões de fotografia. O cenário era perfeito! Já temos tantas histórias para relembrar, contar, dividir que a família ALFA espanta o silêncio e revive os melhores momentos no regresso a Marrakech.

No jantar de despedida, a sensação de plenitude. Experienciámos, aprendemos, compartilhámos, exercitámos o nosso olhar. Marrocos enfeitiçou-nos, desmontou e reconstruiu em uma só jornada. Devolveu-nos cientes da nossa humanidade, do nosso amor ao próximo, da importância do exercício da tolerância, da compaixão e da solidariedade. Demos um grande passo rumo a uma fotografia de excelência: tornamo-nos pessoas melhores.

Texto: Fabiana Saboya
Fonte e imagem: ALFA – Associação Live Fotógrafos do Algarve

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